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Afinal, por onde começo?

Afinal, por onde começo?

 

Qual é a linha que divide o previsível do imprevisível? Em que momento posso dizer que fui pega de surpresa? Será que foi quando me distraí ou quando deixei de me importar?

No meu diploma de graduação uma data me chamou a atenção, 1987. Época em que se falava nas mudanças propostas pelos CIEPs visando a reestruturação das escolas tanto na arquitetura externa quando na "interna". Reuniões, ideias e sonhos sobre a escola do futuro. O sistema educacional prometia reerguer as escolas públicas da ruína, diminuir os altos índices de evasão e repetência, investir na gestão escolar, redefinir currículos, oferecer plano de carreira aos professores junto com a formação continuada. Foi uma época de campo fértil às ideias de mudanças, acreditávamos que teríamos uma participação efetiva na definição de políticas educacionais.

Nesses 33 anos presenciei e participei da materialização de algumas ideias. Defendi Piaget, Vygotsky, Emília Ferreiro, Sara Paín entre outros. Me apaixonei por Maria Monetessori. Fui buscar nas especializações respostas para tantas angústias. Tenho certeza de que em alguns momentos consegui entregar qualidade aos meus alunos. Muitos puderam reescrever sua história que parecia ser previsível, mas outros não. Perderam-se num emaranhado de ideias, greves, e falta de investimento e infra-estrutura.

Quando ouço falar em macrotendências vejo aqui a educação, que ainda busca incansavelmente ser o caminho para a mudança. Os números apresentados pelo Fórum Econômico Mundial são alarmantes, 263 milhões de crianças fora da escola. A falta de investimento e de descaso aumenta a desigualdade social. Para onde foram as propostas? Ainda enxergo ruínas. (Cabe aqui ressaltar que é uma visão particular.)

Os efeitos do COVID-19 descortinaram a realidade da educação. Estamos vendo a falta de preparo para se trabalhar com o imprevisto, com a solução de problemas complexos, a negociação e colaboração em um trabalho de equipe, habilidades necessárias para enfrentamento de crises - leia-se soft skills (habilidades socioemocionais). É aqui que me pergunto, nos distraímos ou deixamos de nos importar? Nos acomodamos ou nos enganamos achando que computadores nas escolas resolveriam os problemas?

Depois de 25 anos em escolas públicas, particulares e cursos de idiomas, sigo carreira solo mentorando alunos e professores no caminho da educação através do autoconhecimento. Não acredito em metodologias, materiais de ponta, plataformas e receitas enquanto comércio. O dia em que houver uma decisão firme de colocar o ser-humano, com toda a sua história, particularidades e habilidades como o centro de toda e qualquer mudança caminharemos para um futuro melhor.

 

Esse texto foi postado originalmente em meu perfil do Linkedin: 

https://www.linkedin.com/pulse/afinal-por-onde-come%C3%A7o-monica-braga/

Inovadores & Inquietos
Monica Braga
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A arte de "professorar" corre nas minhas veias desde os 5 anos, quando profetizei que seria professora. Apaixonada pela educação e pelos mistérios do ser humano criei o conceito de mentoria onde ensino como aprender inglês.

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