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Design como cultura ou cultura de design?

Design como cultura ou cultura de design?

Percebo, nas conversas que tenho com várias pessoas na academia ou no ambiente corporativo o quanto falta de conhecimento de design em suas vidas, mas o quanto de design elas já aplicam no dia a dia.

Há uns 10 anos  (e ainda hoje), o papo de colocar o cliente no centro era coisa do marketing e de vendedores, agora até a tia do cafezinho tem de conhecer o cliente, seus gostos e preferências para criar uma puta experiência de tomar café. Seria mais fácil se a empresa patrocinasse uma máquina de espresso e algumas variedades de petit four amanteigado (fica a dica senhores diretores!)

Há uns 10 anos (e ainda hoje), áreas diferentes trabalharem juntas e bolarem soluções para o cliente seria algo impensável, afinal, deixem as compras e os advogados quietos no canto deles para não tirar o foco, deixa o diretor em paz para mais uma infrutífera reunião para discutir a próxima reunião e deixa a tia do cafezinho fazer o cafezinho senão tem motim no convés da organização. Cada um no seu quadrado.

Há uns 10 anos (e ainda hoje), as empresas eram brancas, cinzas, bege e outras cores pastel, chatas, de dar sono. Hoje já fazem seus "labs", "garages", "war rooms", "studios" e "oficinas" com paredes coloridas, paredes para escrever com giz, com impressoras 3d e post-its para todos os lados. Inclusive, há quem trabalhe remotamente em coworks com essas características, com equipes multidisciplinares e de forma colaborativa com seus colegas de trabalho e com a comunidade do cowork. A uns 10 anos isso também seria impensável.

Três exemplos, talvez quatro com o do cowork, que já são mais que conhecidos, mas que ainda falta o próximo passo.

Anos numa escola de design, ouvindo professores bacanas e chatos, fazendo dezenas de projetos bacanas e chatos e você não consegue pensar de outra forma. Mas design não é um bando de ferramentas numa oficina de design thinking divertida e empolgante, é um modo de pensar, conectar os pontos e gerar soluções, que muitas vezes dependem bastante de senso estético além de senso de praticidade. Pessoas, em sua maioria, adoram e se identificam com coisas belas e dentro de tendências, aprendi isso na escola de design. (vai dizer que você realmente curte aqueles ppts cheios de textos intermináveis, com a imagem de uma guria magra parecendo gorda pelo achatamento da imagem, em sonolentas cores pastel, onde título e texto não tem diferenciação e você precisa fritar uns neurônios para decifrar?)

E agora, qual o próximo passo para tornar a nossa cultura mais orientada às pessoas, de forma colaborativa, mais bela e dentro de contextos para criar grandes experiências?

Primeiro aceite, você em partes já esta fazendo isso mesmo sem saber. Segundo, se inspire mais e inspire mais as pessoas, porque aí habita a essência do design. Mas esse assunto fica para uma próxima.

Inovadores & Inquietos
Leo Tostes
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Especialista em inovação aberta e sócio na Haze Shift. Tem o propósito de ajudar organizações a impactarem o mundo de forma positiva e se transformarem criativamente e digitalmente.

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