[ editar artigo]

Educação e Inovação: conceito de outrora, olhares do agora.

Educação e Inovação: conceito de outrora, olhares do agora.

A pandemia pela COVID-19 trouxe para o mundo, junto às crises sanitária e econômica, uma crise educacional. A UNESCO confirmou que 1,5 bilhão de estudantes deixou de frequentar as salas de aulas, situação que desafiou a política educacional para a implementação de rotinas que mitigassem as perdas previstas ao aprendizado dos alunos. Nesse cenário, as discussões sobre inovação na educação foram elevadas ou retomadas com maior intensidade.

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

Assim, para uma reflexão mais adequada sobre o tema, faz-se necessário sublinhar pontos de destaque do conceito de inovação. Ele diz respeito, primordialmente, a um fluxo de relações em favor de um objetivo, para gerar resultados sustentáveis. Tal dinâmica tem por base uma mudança de cultura no trato entre finalidades e problemas, onde a inovação estimula, por diversos meios, a desobstrução de questões que impedem o alcance de algum propósito. Ou seja, inovação, como frequentemente se pensa, não diz respeito apenas a tecnologias. 

Com base em algumas literaturas publicadas pela OCDE* (2005) e por autores como Tidd, Bessand e Pavit (2008), o conceito de inovação comporta palavras como pessoas, tecnologia, tempo, ideias e recursos financeiros e estruturais. Seguindo este norte, observamos que a inovação abrange um ecossistema que deve dialogar com realidades, problemas e anseios, criando pertencimento por partes dos indivíduos que o integram com aquilo que se almeja. Por isso, a inovação também se relaciona ao engajamento, à busca de conhecimento, ao compartilhamento de ideias e à compreensão comunitária. 

No Brasil, com os desafios imposto pela pandemia, muito se falou sobre um atraso de inovação na educação. Isso porque, a prática do ensino não presencial indicou o uso de tecnologia da informação como meio estratégico para ampliar as oportunidades de aprender no novo modo de ensinar. Junto a isso, a desigualdade digital no país foi atualizada em números exponenciais. Nessa circunstância, contudo, reside uma oportunidade de se aplicar melhor o conceito de inovação na perspectiva da educação, em particular na educação básica pública. 

De fato, a tecnologia da informação é, indubitavelmente, de suma importância para a educação no século XXI. Mas, o debate sobre inovação tem uma colaboração maior para área quando ele é concebido como um potencial para gerar conexões com vistas à superação de problemas a partir do engajamento das comunidades escolares. 

Num pretérito recente falou-se da necessidade de se alterar o modelo de ensino mudando o centro do processo de aprendizagem do professor para o estudante (CHRISTENSE; HORN; JOHNSON; 2012). Na ocasião, o desafio consistiu em buscar formas para garantir que toda a diversidade presente nas salas de aula fosse contemplada no planejamento educacional e as metodologias de ensino fossem pensadas para atender as múltiplas formas de aprender. A inovação, portanto, cumpriu o papel de mobilizar esforços internos e externos à escola para a superação de várias questões que surgiram em torno desse propósito. Essa construção precisou considerar tanto pessoas quanto tecnologia, tempo, ideias e recursos disponíveis para perseguir o novo naquele período. 

Hoje, estes mesmos elementos são pertinentes. Entretanto, ainda é fundamental conceber que inovar é entrar em uma dinâmica de mudança de cultura e de mindset, imprescindíveis diante das transformação e intempéries que atingem a sociedade de forma esperada ou não, como é o caso da pandemia pela COVID-19.

Os olhares de agora ainda carecem de pensarmos a inovação na educação de modo a fortalecer o ecossistema de aprendizagem escolar, que é o conjunto que compreende a conexão entre os diversos atores da comunidade, garantindo um engajamento autêntico em torno do objetivo de formar cidadãos. 

Sendo assim, a crise educacional causada pela pandemia indicou que a compreensão sobre o papel e o resultado da inovação na área de educação precisa ser amplificada. Revisitar seu conceito é uma oportunidade de desenvolver um entendimento mais adequado acerca das contribuições mobilizadas pela cultura de inovação; tanto para auxiliar na construção de soluções para problemas históricos e atuais, quanto para dar maior sentido e significado humanitário à política educacional.

Sem nunca diminuir os danos causados por situações como a pandemia, é salutar lembrar que, como diz Leonardo Boff, as crises trazem consigo alguma oportunidade. E falar em oportunidade é revelar que para momentos como este gerarem aprendizados dependerá de como vemos, reagimos e quais elementos utilizamos para tratarmos as experiências que se impõem.

*OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico 

 Jefferson Costa Nogueira. Publicitário e Analista de Comunicação da Empresa Maranhense de Administração Portuária - EMAP/Porto do Itaqui.  jefferson.nogueira@emap.ma.gov.br

Nádya Christina Guimarães Dutra. Pedagoga. Mestre em Educação e Secretária Adjunta de Educação do Maranhão. dutranadya@gmail.com

Inovadores & Inquietos
Ler conteúdo completo
Indicados para você