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Home Office e o cansaço da comunicação

Home Office e o cansaço da comunicação

Outro dia eu estava pensando no porque de tantas pessoas estarem trabalhando em casa e se sentindo mais cansadas do que o normal. Aparentemente elas têm conforto, uma alimentação melhor, e para muitos, acordar mais tarde porque não há o deslocamento até o trabalho. Até tem gente que parece ter visto os benefícios do Home Office e estão vencendo o preconceito que possuíam antes.

Pensando nesse assunto comecei a lembrar da leitura do livro Rápido e Devagar do Daniel Kahneman, e tive vários insights lendo, mas um ponto me veio especialmente a mente no momento em que passamos, que é o limite de carga que conseguimos administrar ao mesmo tempo, em nossos sistemas mentais, algo como uma carga de esforço cognitivo. Nossa carga, de acordo com o autor é pequena e se esgota rapidamente quando temos de lidar com muitas informações complexas ao mesmo tempo, o que nos gera cansaço físico e mental.

Então esse artigo é uma reflexão de uma tema que é essencial para nós que trabalhamos inovação e transformação digital: comunicação.

Agora considere a realidade que muitos de nós estamos vivendo: 

Como é a nossa comunicação diária através de canais online? Fácil ou difícil? Conseguimos ver de forma clara o nosso interlocutor ou não? Ela é estável? O áudio reflete a realidade?

Vários estudos nos apresentam que a nossa comunicação não verbal é responsável por algo entre 70 a 93% de toda a nossa comunicação, é que ela é composta de várias pequenas interações que se somam para que possamos usar o mínimo de esforço em nossas conversas pessoais ou profissionais e ainda assim nos intendermos. Para cada uma dessas interações, gostaria que você refletisse um pouco sobre a sua realidade através do online:

Tom de voz: quantos aqui passam o dia ouvindo voz metalizada, voz com corte, som grave ou agudo demais devido ao microfone? Será que conseguimos captar o tom de voz do nosso interlocutor?

Postura: conseguimos ver nosso interlocutor? O quanto vemos do corpo para podermos fazer uma leitura disso em outra pessoa. E quando a pessoa está com a câmera desligada?

Gestos: Dependendo da distância da câmera, só conseguimos ver o rosto, a pessoa até esta fazendo gestos, mas esta fora do campo de visão. Conseguimos ler os gestos que dão suporte a conversa?

Distância: Quando estamos conversando presencialmente tem aquelas pessoas que se sentem intimas e ficam bem perto e outras que fazem questão de manter uma distância segura. Como fazemos essa leitura via câmera? Será que ela simplesmente existe nesse caso?

Expressões faciais: pense na importância que as expressões faciais têm numa conversa e o quanto é perdido em conexões de baixa qualidade, com câmeras ruins ou simplesmente tendo a câmera desligada. Como podemos ter essa leitura tão essencial?

Toque: Sabe aquela pessoa que conversa com você de forma cinestésica? Que ela precisa te cutucar para conseguir dar mais contexto ou força a uma ideia, ou simplesmente para te direcionar? Via online essa é mais uma que simplesmente deixa de existir.

E finalmente, uma dos que mais causam para mim em especial desconforto, contato visual: nossos olhos mostram muito de nós e quem olha para uma câmera olha para ninguém e olha para todos. Um dos elementos mais fortes de leitura de uma pessoa simplesmente não existe.

Agora traga de volta para o tema do esforço cognitivo, e pense o quanto nos esgota termos de usar menos de 50% da nossa capacidade de leitura e expressão na comunicação durante todo o dia? O quanto não temos de preencher lacunas de comunicação, interpretar o que pessoas querem dizer com poucas pistas e ainda assim chegar ao final de negociações e decisões diárias com sucesso.

O quanto do nosso cansaço pode estar relacionado a extrema demanda de não apenas termos o dia mais longo por estarmos tendo menos paradas, ou estamos com menos atividades físicas, mas também porque nossos cérebros estão com uma enorme carga de aprendizado de novos modelos de interação e nossas comunicações que ocorrem todo o dia, estão por demais deficitárias?

Como profissionais que atuam com inovação, empreendedorismo e design, temos de começar a pensar em como podemos criar uma experiência mais humana de comunicação online, ou então criar novas pistas de comunicação dentro da natureza do ambiente online que nos demande menos esforço.

Que solução você sugere? Qual inovação?

Inovadores & Inquietos
Leo Tostes
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Especialista em inovação aberta e sócio na Haze Shift. Tem o propósito de ajudar organizações a impactarem o mundo de forma positiva e se transformarem criativamente e digitalmente.

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