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ORGULHO E PRECONCEITO: ERROS E APRENDIZADOS PROGRESSISTAS

ORGULHO E PRECONCEITO: ERROS E APRENDIZADOS PROGRESSISTAS

Este texto não é sobre o romance da britânica Jane Austen, mas estes dois sentimentos acompanharam minhas reflexões de hoje após o término de uma reunião virtual da comunidade Inovadores Inquietos do qual faço parte. Nesta reunião cometi um injustificável erro machista em uma brincadeira, justamente em uma semana que falei muito sobre o erro em uma fala de uma CEO em uma entrevista e também depois de vir de semanas de ótimas reflexões no comitê de diversidade da comunidade. 

Como a nossa comunidade é muito transparente,  logo que fiz a brincadeira, respeitosamente as integrantes da mesma manifestaram sua insatisfação. Repito que não houve nenhuma repreensão constrangedora ou algo parecido, apenas a advertência que não era nada engraçado. Prontamente me desculpei e óbvio que fiquei envergonhado do que tinha acontecido, principalmente pelo meu engajamento que tenho pelo tema de diversidade e inclusão, por ser um ativista muito ativo no combate ao racismo. Até então, poderia ficar apenas incomodado e me auto penalizando pelo que aconteceu ou me propor a verdadeiramente a refletir sobre o ocorrido, entendendo como poderia aprender com o mesmo, sem temer o que eu chamo de "síndrome da Medusa". 

Por ser um ativista ativo no combate ao racismo, com voz ativa contra preconceitos, sempre propondo reflexões e ações para tornar a sociedade melhor, poderia me agarrar no ORGULHO de todas estas ações para justificar que foi apenas um erro humano e ignorar o que houve. Mas quando fui um pouco mais fundo no meu incomodo, me questionei se estava chateado por cometer o erro na frente de todos ou se pensaria nele como aprendizado para desconstruir o machismo dentro de mim. Será que se tivesse feito esta brincadeira na minha vida pessoal, estaria fazendo a mesma reflexão? E infelizmente cheguei a conclusão que talvez não teria este aprendizado.  A desconstrução de qualquer PRECONCEITO deve ser diária e constante, sem obsessão ou obrigação. É constante aprendizado e conscientização. 

Muitas vezes a pressão imposta pelo erro nos faz cair na armadilhar "narcisista egocêntrica" de energicamente nos defendermos de todas as acusações e criticas, nos impedindo de entender e aprender com as críticas construtivas. Todos temos o direito de errar, e se pudermos aprender com os erros, melhor para evoluirmos. Eu considero a perfeição utópica para qualquer coisa que faço na minha vida, mas tento ao máximo me precaver para não cometer erros que possam causar qualquer incomodo para o meu próximo. E para isto trabalho diariamente para desconstruir todos vieses preconceituosos que posso ter, redobrando a atenção quando acontecem os erros. 

Não escrevo isto para "romantizar" ou "terceirizar" o erro. Escrevo para compartilhar uma reflexão progressista de como lidar com o mesmo. Este erro não fara com que diminua meu engajamento na luta contra o racismo ou todos os outros preconceitos que combato para tornar a sociedade melhor, muito pelo contrário, fará com que eu me engaje ainda mais para aprender, entender, compartilhar e conscientizar a quem puder com ele. Por mais que não deseje errar novamente e que redobre a atenção, como ser humano imperfeito que sou, sei que irei errar outra vez, e procurarei sempre repetir as reflexões buscando novos aprendizados. 

E para finalizar este texto, apesar de ser ateu, cito uma lição do "Madiba" Nelson Mandela: "Não se esqueça que santos são pecadores que continuam tentando" 

Inovadores & Inquietos
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